Os diferentes ambientes de trabalho sempre nos chamam a atenção. O ambiente que nos ocorre agora é um cartório: lugar normalmente sisudo, com livros de quase um metro de comprimento, pesando talvez uns vinte quilos, aos quais os funcionários manuseiam com algum esforço, à busca, às vezes, de um registro antiqüíssimo, cujos protagonistas e serventuários citados, de longa data já se ausentaram do convívio com os viventes. Um dia, tivemos a grata oportunidade de ver, nesta cidade, um livro muito antigo, do século XIX, onde estavam registradas escrituras públicas de libertação de escravos. Pareceu-nos que um lindo desenho artesanal, da produção do mesmo oficial do cartório, supria a inexistência ainda do carimbo. Tudo isto, pasmem, do tempo em que Pedro Leopoldo fazia parte da comarca de Curvelo. Achamos um espetáculo!
A Bíblia Sagrada também nos brinda em Apocalipse 20:11-15 com a narrativa de um singular acontecimento envolvendo livros, ocorrido justamente no contexto de um dos mais singulares e extraordinários acontecimentos, que é o Dia do Juízo Final, a ocorrer diante do “grande trono branco”. Para começar, o texto e seu contexto ensinam que, naquele dia, grandes e pequenos, todos de pé e sem proteção judicial ou política alguma, estarão perante o último e definitivo tribunal, contra cujas sentenças jamais haverá recurso. A voracidade dos cemitérios, do mar e da morte, cederão lugar ao papel subserviente que assumirão, de verdadeiros oficiais de justiça, trazendo à presença do Supremo Juiz todos os mortos neles jazentes.
A multidão será incontável, abrangendo desde os primeiros homens a pisar neste planeta, até o último, cujo choro do nascimento estiver ainda fresco, sem falta de ninguém, absolutamente ninguém. É terrível pensar na última expressão do verso 13: “e foram julgados, um por um, segundo as suas obras”. Não causa estranheza terem sido julgados aqueles cujos atos estavam “nos livros das obras”, senão após a leitura de João 5:24, quando fica pelo menos desconfortável. João 5: 24 diz: “quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou TEM A VIDA ETERNA, NÃO ENTRA EM JUIZO, MAS (JÁ) PASSOU DA MORTE PARA A VIDA”. Não entrar em juízo equivale a não ser julgado, assim como TER a vida equivale a não estar sujeito a condenação, mesmo porque, PASSOU, JÁ PASSOU, DA MORTE PARA A VIDA. Se o Evangelho revela que os que ouvem as palavras de Jesus e crêem naquele que o enviou já estão isentos do juízo, ao mesmo tempo em que o Apocalipse, também do mesmo João, para não se pensar que é diferença teológica, revela que foram julgados os que não tiveram “assento” no livro da vida, mesmo protagonizando as páginas nos livros das obras, torna-se evidente que a condição do evangelho é que salva, e não as obras.
Efésios 2:8-9, que foi muito útil a Lutero, pode sê-lo para você também.
por Pr. Milton
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