15 Junho 2009

PALAVRA “NÃO”. ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Nosso texto de hoje é como uma “colcha de retalhos”, ainda que de apenas dois retalhos. Isto, porque estaremos aproveitando o material de dois “downloads” que recebemos nestes últimos dias, pelos quais agradecemos imensamente a quem no-los enviou.


O primeiro, resumindo tanto quanto possível e relatando-o com nossas palavras, narra a história de um porco que lutou muito para reanimar um cavalo sentenciado ao sacrifício pelo seu veterinário, já que, portador de uma virose supostamente incurável, não conseguia se levantar. Só no último dia de sua oportunidade, num grande esforço, diante de palavras tão encorajadoras do porco, o cavalo conseguiu se colocar de pé, passando a correr e saltar pelas plagas daquela bonita fazenda. Quando o dono da fazenda, acompanhado do veterinário, viu o que acontecia, exultou e bradou: “Que beleza! O cavalo sarou! Isto merece uma festa: vamos matar o porco”.

A outra história, conteúdo do outro “download”, bem diferente, versa sobre o seqüestro e morte acontecido em Santo André, bem recentemente. É algo bem diferente e se liga ao primeiro “download” por um pequeno liame.

Um rapaz de 22 anos se sentiu no direito de sequestrar duas jovens, mantendo-as em cárcere privado e sob a mira de um revólver por cerca de 100 horas. Quebrou a rotina de trabalho de todos os cidadãos daquele prédio, além de incomodar todos os moradores do condomínio onde o mesmo se situava. Como se não bastasse, provocou um trabalho horrível para a polícia, que teve que estar ali algumas noites e dias, numa luta altamente estressante. Também, “brindou-nos” com o enojante sensacionalismo da mídia, que se gaba de seus “ibopes” noticiando infelicidade alheia. Como se tal não bastasse, no último ato de sua peça teatral, desferiu um tiro que ceifou a vida de uma das jovens. E tudo por uma única razão: uma palavra em extinção. A palavra”não” está em extinção. Lindemberg queria conversar com Eloá, mesmo ela não querendo, e, como para as vontades dele não existe “não”, quis obter o que desejou a qualquer custo. Faltara um”não” dos pais de Eloá quando, criança de apenas 12 anos, quis namorar com aquele rapaz; faltou um “não” da autoridade policial quando o seqüestrador quis a volta da garota Naiara ao picadeiro em que ele se apresentava; faltou um “não” dos pais de Naiara quando ela, solta do cativeiro mas estranhamente solicitada a voltar lá, voltou e quase foi morta; faltou um “não” dos pais de Lindemberg, que deveriam tê-lo buscado, como se busca um moleque que está fazendo algo inconcebível; faltou um “não” do governo para a imprensa sensacionalista, que fez aquele bandido se sentir um “mocinho” e um “homem de bem”. Justamente Eloá, a única que disse um “não” naquela história, levou um tiro na cabeça e morreu. Tinha dito ao seu ex-namorado o compreensível “não” e pagou por tal palavra com a sua vida.

por Pr. Milton

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