09 Março 2009

O QUARTO “AI” DE ISAIAS

Ao texto que se refere “ao 4º ai de Isaias”, em Isaias 5: 20, que diz: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem , mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”

Alguém, quem sabe, nem esperaria dizermos coisa alguma e já se explodiria em bravejos, dizendo: Isto é o pior dos absurdos! Nunca existiu nem vai existir tal coisa!

Vamos devagar, trazendo a lume primeiramente uma expressão que, um pouco mais ou um pouco menos, nos parece familiar. Referimo-nos àquela expressão algum dia ouvida nalgum lugar: “Inversão de valores”. Agora, um passo adiante: Vivemos em uma sociedade em que os bandidos circulam com toda liberdade por todos os lugares, enquanto os cidadãos vivem “enjaulados” em suas próprias casas. Alguns, chegam a ser expulsos de suas “jaulas”, fadados a se tornarem “andarilhos”, que vão se estabelecer nalgum outro lugar apenas até que outro bandido – ou o mesmo de antes – os enxote dali ainda para um terceiro, quarto ou quinto lugar.

Vimos, na nossa experiência policial há alguns anos, que poucas pessoas neste país destroem o teto que as abrigam e ateiam fogo nos colchões em que dormem, para logo ganharem teto novo inaugurado com festas pelo governador, e colchão novo, exigido e vistoriado pela Comissão dos Direitos Humanos. Os demais, “cidadãos enjaulados”, terão mesmo é que trabalhar para adquirir para si e suas famílias bens substitutivos aos que perderam.

Somos muito velho. Talvez, até antigo. Somos daquele tempo em que o dedo do pai, colocado vertical e suavemente diante da própria boca e do próprio nariz, era o bastante para que seu filho se calasse. Tal gesto foi hoje substituído pelos gritos histéricos “à la globo” com que os adolescentes, resguardados com a “armadura de aço” das leis que os protegem, esbravejam dizendo que, “se velhos calados já estão errados, imagine velhos falando”.

Ficamos muito tristes com as inversões de valores atingindo até as raias da administração pública quando, periodicamente, acionam a máquina das indulgências, para o perdão de determinados devedores. Tal expediente, useiro e vezeiro, tanto nas administrações municipais quanto na administração federal, são na verdade favores com endereço certo, prometidos nas rodas de cerveja nas portas dos bares, onde os administradores, então candidatos, e não menos “etilizados”, dizem que estão “fazendo sua campanha”.

Bem melhor seria para os nossos filhos que eles, na verdade, fossem nossos avós, para terem a presunção de que sua morte ocorrerá antes que terminemos a construção do mundo que estamos lhes preparando.

Mal é mal – e um exemplo, é calar; e bem é bem – e, outro exemplo, é falar. Primemos todos para que cada coisa permaneça em seu devido lugar.

por Pr. Milton

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